A estratégia de investimento que manteve os Colonna ricos por 800 anos

Tempo de leitura: 8 minutos

Se as últimas crises mundiais já levaram muitos milionários à falência, imagine a dificuldade de manter uma fortuna durante todas as crises financeiras e guerras travadas desde a idade média?

Esse feito único (e notável!) pertence a família italiana Colonna, rica desde o século 13.

Entre os inúmeros desafios superados por essa família para manter sua riqueza, por mais de 800 anos, podemos destacar:

  • Invasões francesas e espanholas na Itália
  • Diversas guerras e conflitos entre os estados Italianos
  • Surto de Peste Negra
  • Guerras Napoleônicas
  • Guerra dos 30 anos
  • Unificação Italiana
  • Primeira Guerra Mundial
  • Crise de 1929
  • Fascismo
  • Segunda Guerra Mundial
  • Mudanças de moeda e sistema monetário
  • Crises inflacionárias
  • 1º e 2º choques do petróleo
  • Crise de 2008

Com certeza você conhece casos de pessoas que ficaram ricas por acaso, mas manter uma riqueza ao longo de 800 anos, enfrentando todos os infortúnios listados acima, não é algo que acontece por sorte. É preciso ter estratégia!

E este é justamente o assunto chave deste artigo. Neste post vou explicar:

  1. Qual a estratégia usada pelos Colonna
  2. De que modo ela funciona
  3. Porque utilizá-la nos seus investimentos
  4. Como utilizá-la para criar uma carteira à prova de crises

Que tal fazer da sua família o equivalente tupiniquim dos Colonna? Leia este artigo e veja que isso pode ser mais simples do que parece.

Qual a estratégia dos Colonna?

Colonna

Os Colonna, mesmo sem saber (no século 13 ainda não chamavam essa estratégia pelo nome atual), usavam a Alocação de Ativos para garantir que sua riqueza se mantivesse intacta, e até crescesse , por pior que a situação estivesse.

Citando o exemplo dado pelo economista Jim Rickards, autor do livro A Grande Queda, os Colonna se mantiveram ricos por tanto tempo porque diversificaram a alocação de sua fortuna:

Um terço em metais preciosos, um terço em terras e um terço em obras de arte. Quando o perigo estivesse próximo era só cortar a tela da parede e embrulhá-la, pegar sua algibeira com ouro e correr com seu cavalo para um local seguro. Com a situação voltando a normalidade, era hora de voltar, reclamar as terras e colocar as obras de arte novamente na parede.”

O que é a Alocação de Ativos?

o que é alocação de ativos

Explicando de maneira sucinta, a Alocação de Ativos é uma estratégia de investimentos antiga e pouco divulgada no Brasil, que tem como objetivo equilibrar a relação risco x retorno de uma carteira de investimentos.

Isso é feito através da diversificação em diferentes aplicações financeiras que não costumam caminhar de maneira similar (não sobem nem caem juntas de valor).

De que modo a Alocação de Ativos funciona?

como funciona a alocação de ativos

Sabe aquele ditado antigo que manda não colocar todos os ovos na mesma cesta?

Pois é, ele está correto!

Diversificação é a palavra chave da Alocação de Ativos. Investindo em diversos ativos você diminui o impacto do resultado negativo de um único investimento na carteira.

Harry Markowitz, pai da moderna teoria dos portfólios, já explicava em 1950 como o risco de uma carteira é menor do que a soma dos riscos individuais de cada ativo. Difícil entender na teoria? Não se preocupe, é fácil de aplicar na prática.

Basta analisar que se você tiver uma perda significativa em um investimento mal feito (perdeu 10% do valor investindo em ações) está não irá te afetar tanto, já que existem outros investimentos na sua carteira capazes de amortecer este impacto negativo.

Dessa maneira, sua rentabilidade não fica comprometida como um todo.

Porque utilizar a Alocação de Ativos no seus investimentos?

testado e aprovado

Estudos comprovam que 90% do retorno de uma carteira de investimentos está atrelado à sua alocação de ativos. Apenas os outros 10% corresponde a escolha do ativo, momento da compra e diversos.

Somente esse primeiro aspecto, aliado ao exemplo da antiga família italiana, já seria motivo suficiente para utilizar essa estratégia, mas para facilitar o entendimento, fiz uma lista abaixo com outros ótimos motivos para utilizar a Alocação de Ativos em seus investimentos:

  1. Minimizar o risco de uma carteira de investimentos sem, no entanto, minimizar o retorno;
  2. Ser uma ideia simples, de fácil aplicação e ideal para alcançar excelentes resultados;
  3. Apresentar menos custos, menos stress e, principalmente, mais tempo fora do mercado;
  4. Desenvolver atributos essências do investidor de sucesso;
  5. Permitir um planejamento seguro com foco no longo prazo.

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Como fazer uma boa Alocação de ativos e criar uma carteira a prova de crises?

alocação de ativos

Chegamos na cereja do bolo!

Na época em que os Colonna iniciaram sua fortuna, as opções de investimento eram bem limitadas. Felizmente, hoje em dia temos inúmeras opções a nossa escolha.

Para simplificar essa parte da explicação, vou usar uma analogia criada pelo Henrique Carvalho, autor do Ebook Alocação de Ativos, comparando a montagem da carteira de investimentos com a seleção de atletas de uma equipe de futebol (fica simples de entender mesmo que você não goste de futebol).

Quando um técnico monta seu time, ele deve se preocupar com 3 setores essenciais: defesa, meio-campo e ataque.

Na hora de montar sua carteira de investimentos não é diferente.

Você precisa fazer sua alocação em investimentos mais seguros (defesa), em ativos moderados que apresentam mais retorno e menos segurança (meio-campo) e deve ter também aqueles investimentos mais arrojados capazes de proporcionar um retorno acima da média (ataque).

Veja abaixo as características dos ativos disponíveis para cada posição:

Renda Fixa (defesa)

  • Opções: LCI, LCATesouro Direto
  • Maior segurança
  • Retorno razoável dado as altas taxas de juros no Brasil
  • Possibilidade de se proteger da inflação: via Tesouro IPCA  e Tesouro Selic (juros tendem a subir quando inflação sobe)

Fundos Imobiliários (meio campo)

  • Opções: Mais de 100 Fundos Imobiliários listados na BMFBovespa
  • Geração de renda (rendimentos mensais isentos de IR)
  • Ideal é diversificar em, no mínimo, 5 fundos imobiliários

Renda Variável (ataque)

  • Opções: Ações, Fundos de Índice, câmbio, bitcoins e ouro
  • Alto retorno (e alto risco)
  • Possibilidade de investir em Fundos de Índice (ETF) para baratear os custos e obter retorno muito próximo do mercado. Ex: BOVA11, fundo de índice que acompanha o Ibovespa.
  • Procure não concentrar grandes investimentos em poucas opções.

Assim como existem técnicos retranqueiros, treinadores que equilibram bem o time e outros que preferem um jogo mais ofensivo, o mesmo acontece com os investidores.

Existem os conservadores, moderados e agressivos.

Dependendo do seu perfil, aloque seus recursos de diferentes formas de modo a arriscar mais (sujeito a maiores ganhos e perdas) ou menos (mais seguro, mas com menos chance de grandes resultados).

Como sugestão, mostro abaixo possíveis alocações de ativos de acordo com cada perfil:

Investidor conservador

Renda Fixa 70%
Fundos Imobiliários 20%
Renda Variável 10%

Investidor moderado

Renda Fixa 50%
Fundos Imobiliários 30%
Renda Variável 20%

Investidor agressivo

Renda Fixa 30%
Fundos Imobiliários 40%
Renda Variável 30%

Lembrando que isso é apenas uma sugestão geral de alocação. Dentro de cada classe o investidor deve diversificar escolhendo o que mais lhe agrada de acordo com seu perfil.

O que não escolher para entrar no seu time?

perigo

Tão importante quanto mostrar boas opções de investimento é lembrar-lhe daquelas que são ruins para o seu bolso.

Algumas opções que você não deve considerar como investimentos são os títulos de capitalização (bons apenas para o banco), poupança (somente deve usar no curto prazo) e fundos de investimento com altas taxas de administração.

Gerindo a carteira

controle do dinheiro

Após definir seu perfil e alocar seus ativos de acordo com suas escolhas, resta apenas escolher um intervalo de tempo regular para gerir sua carteira.

Este intervalo pode ser semanal, mensal, trimestral… o critério é seu.

Lembre-se que carteiras mais agressivas devem ser geridas de maneira mais ativa, com períodos de tempo menores. Carteiras mais conservadoras podem permanecer longos períodos sem passar por revisões.

Ao revisar sua carteira, você deve analisar se não é interessante trocar ativos que não atendem mais suas expectativas, incluir outros que sejam atraentes para seus planos e realocar seus investimentos de maneira a continuar seguindo os preceitos originais da sua alocação de ativos.

Conclusão

Chegamos ao final do artigo.

Espero ter sido capaz de passar adiante parte dos ensinamentos dessa estratégia de investimentos altamente eficaz (que o digam os Colonna!).

Para quem quiser aprender mais sobre o assunto, recomendo o livro Alocação de Ativos, onde o economista e educador financeiro Henrique Carvalho ensina como investir com segurança e rentabilidade usando os preceitos da Alocação de Ativos.

Além do livro (que é o melhor livro em português sobre o assunto!), há diversos bônus interessantes que acompanham a oferta. Se estiver interessado em conhecer o livro e obter uma amostra grátis de parte do seu conteúdo, clique no link abaixo:

Ebook Alocação de Ativos

Lembrando que por sermos um país jovem, ainda não temos um equivalente a família Colonna em nossa história. Sua família ainda pode ser a primeira.

Grande abraço e até a próxima!

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  • Boa tarde, José.

    Está certo e concordo com tudo que você escreveu (inclusive, e principalmente, com o grifo). O risco de calote propriamente dito é baixo, o que me preocupa é o risco de calote via inflação, motivo pelo qual tenho forte preferência por títulos indexados a inflação e atualmente estou fugindo dos préfixados.

    Com uma dívida interna alta e crescendo a juros altos, o governo não precisa dar calote, ele pode simplesmente deixar a inflação subir sem controle, o que indiretamente abate a dívida.

  • José

    Bruno, atualizando essa conversa sobre a segurança do TD:

    http://economia.estadao.com.br/blogs/fabio-gallo/2016/02/29/tesouro-direto-representa-so-1-da-divida-do-governo-e-risco-de-calote-e-baixo/

    Destaque para o seguinte trecho:

    “o volume de recursos tomados pelo governo por meio do Tesouro Direto
    não é um problema. Quem já viveu os tempos do Collor não pode deixar de
    ficar com receio de que os nossos governantes são capazes. Mas hoje a
    situação é diferente. A Emenda Constitucional 32/2001 proíbe a edição de
    qualquer medida provisória “que vise a detenção ou sequestro de bens,
    de poupança ou outro qualquer ativo financeiro”. Esta medida nos dá
    segurança jurídica de que um novo calote não deverá ocorrer. Devemos
    admitir que um calote público traz uma série de consequências nefastas e
    que O GOVERNO, MESMO AQUELE MAIS INCONSEQUENTE, deverá optar por outras
    medidas. O risco de calote é muito baixo, mas mesmo assim devemos nos
    preocupar com risco de mercado, que é a alteração de preços dos papéis
    em virtude de volatilidade de juros.”

    (Trecho em maiúsculas = grifo meu)

    Isso foi dito por economista renomado, e publicado no Estadão, então acho que você nem precisa perder tempo lendo as elucubrações minhas e de alguns outros comentaristas naquele link que indiquei outrora.

    Essa expressão que ele usa, “risco de calote muito baixo”, eu interpretei da seguinte forma: claro que tal risco não é nulo, mas levar calote do TD parece menos provável do que levar de um banco, público, privado ou misto e, subsequentemente, também do FGC. Estou certo?

  • Estou voltando de viagem hoje, não furei mais a regra!! rs.

    Realmente a taxa do TD para investimentos de longo prazo está bem atrativa, o que pode vir a compensar uma alocação de recursos nesses ativos visando um complemento de aposentadoria.
    Eu ainda não vi a conversa sobre a qual você deixou o link acima, como citei no outro comentário, quero ler com calma e após descansar da viagem de avião.

    Finalizando, o resgate do tesouro selic para reinvestimento em outros títulos pode ser muito compensador. Eu mesmo resgatei a dois meses atrás para reinvestir no IPCA 2019 (peguei em torno de 7,3%) e vi meus rendimentos decolarem com a queda da taxas para esse título. Para quem pensa mais em longo prazo também a ótimas oportunidades, como você mesmo disse.

    Sempre grato pelas observações enriquecedoras, José.
    Abraço e continue acompanhando o Você MAIS Rico!

  • Boa tarde, José.

    Darei uma olhada na conversa com calma.

    Obrigado e abraço!

  • José

    Aliás, sobre essa questão da segurança do Tesouro Direto, se vai continuar seguro ou não, tive uma produtiva conversa com Douglas e Fernando no espaço de comentários desse artigo: http://www.valoresreais.com/2016/02/22/resumao-da-semana-novo-rebaixamento-do-brasil-pela-sp-desabafo-do-mauro-halfeld-custos-de-um-filho-exemplo-real-e-mais/

    Nessa conversa, gostei da participação do Fernando, sucinto e realista.

  • José

    Bruno, obrigado pela consideração, mas não fure a regra de novo não, curta sua viagem… hehe.

    Só uma observação: Tesouro IPCA 2050 com juros semestrais = aposentar-se em 2015 ou 16 (quiçá 17). Ou complementar aposentadoria.

    Vc citou o exemplo desse título em 2011, quando ainda se chamava NTN-B, mas salvo engano ele estava ainda pior em 2013. Era a época ruim para investir em Tesouro Direto, e principalmente num título como esse, que “trava a taxa”, já que na época os juros estavam exorbitantemente baixos. TD naquele tempo, talvez o mais indicado fosse a LFT, justamente porque os juros estavam tão exageradamente baixos que era possível imaginar que isso não haveria de durar muito. Já que a poupança naquele tempo rendia 70% da Selic mais a piadinha de mau gosto chamada TR, o investimento conservador de médio prazo poderia ser aplicar na LFT, para que, antes da nova alta dos juros, a passagem do tempo servisse pelo menos para abaixar a alíquota de IR.

    Conclusão: entre 2011 e 2013, quem investiu num título de longo prazo que trava a taxa errou na escolha. A consequência desse erro é o chocante prejuízo ao qual você chamou atenção. E teria prejuízo de oportunidade mesmo que mantivesse o título até 2050, pois se naquele tempo tivesse investido na LFT, poderia hoje resgatar e reinvestir, hoje a condição está boa para quem tem recurso em LFT, com mais de 2 anos (alíquota 15% IR), e tem fortes razões para acreditar que não vai mexer no dinheiro antes do prazo de vencimento de outros títulos, pode compensar resgatar e reinvestir.

    Abraço.

  • Boa tarde, José.

    Gostei muito do seu comentário! Estou atualmente em Punta Cana e prometi a mim mesmo só responder comentários quando voltasse ao Brasil, mas para o seu (que achei muito pertinente) vou furar essa regra.

    Como você mesmo disse no final do seu comentário sobre um “governo louco” no futuro… existe a chance, tanto no futuro como agora. Algumas consultorias de investimento já consideram a chance de calote do atual governo nos títulos públicos, por exemplo. Por conta disso e de várias outras variáveis, sou a favor da diversificação em bons ativos de renda fixa e variável.

    Realmente, a renda fixa do nosso país é uma beleza, motivo pelo qual tenho a maior parte dos meus investimentos nessa modalidade (títulos do Tesouro de curto prazo e LCA), mas aloquei alguns recursos em renda variável. Faço isso para ter diversificação e também porque acredito que a recuperação da nossa bolsa possa começar a qualquer momento. Tomando como exemplo a crise de 2008, a recuperação no ano seguinte veio com algumas empresas subindo mais de 300%. Por isso, acho salutar ter alguma alocação nesse mercado.

    Finalizando, essa ideia do tesouro IPCA 2050… embora a taxa seja muito boa, esse título varia muito conforme as condições da economia e taxa de juros vigentes, por isso é de suma importância estar ciente que caso o dinheiro seja necessário antes do prazo previsto, o resgate pode vir acompanhando de prejuízos. Como exemplo posso citar casos de pessoas que compraram esses títulos em 2011, quando a taxa era de 3% mais inflação, e hoje veriam seu dinheiro diminuir mais de 40% caso fossem realizar o resgates dos mesmos (com a taxa acima de 7%)… convenhamos que assumir uma perda de 40% é F%#@. Por isso prefiro os títulos de curto prazo ou tenha ciência de que a melhor alternativa nos de longo prazo é levá-los até o vencimento.

    Gosto da frase do Butffet e já a usei, como você mesmo lembrou, mas hoje prefiro usar algumas cestas a mais.

    Por hora é isso, José.
    Abraço e continue acompanhando o Você MAIS Rico!

  • José

    Bom dia, Bruno.

    Cada caso é um caso. Por isso entendo como apenas aparente a contradição entre seu artigo “10 mitos sobre a Bolsa de valores”, e vários outros artigos do seu site que recomendam a diversificação. Ela é uma regra geral, mas talvez nem sempre necessária. Os Colonna, por exemplo, não teriam conseguido manter o patrimônio por 8 séculos sem a alocação de valores, no entanto concordo também com o Buffet quando diz que não há problema em colocar todos os ovos na mesma cesta, desde que se cuide dela.

    A esse respeito, podemos também levar em conta aquele artigo dos 12 conselhos dos banqueiros suíços, e a sua observação sobre o longo prazo. Concordo contigo que podemos investir no longo prazo, mas acho que devemos ficar atentos, “cuidar da cesta” ao longo do tempo, de modo a perceber alguma eventual mudança de contexto, ao longo do tempo, onde o investimento que no passado parecia o mais seguro do mundo venha a tornar-se de alto risco.

    Vou citar um exemplo: hoje, com a alta taxa de juros, parece-me alto demais o custo de oportunidade da renda variável, portanto tenho investido exclusivamente na fixa. E tenho feito-o com uma regrinha bastante simples: na ausência da certeza absoluta de que não vou precisar do dinheiro antes do vencimento dos demais títulos do Tesouro Direto, compro título do Tesouro Selic. Se tiver algum investimento com certeza (quase) absoluta de que dificilmente mudarei de ideia (quer por necessidade, ou por achar alguma alternativa melhor), nesse caso comparo algumas alternativas como o Tesouro IPCA, o prefixado, com ou sem juros semestrais, etc. Simples, não acha? Mas quando quero liquidez, é Tesouro Selic.

    Essa regrinha simples, no entanto, foi elaborada considerando as condições atuais. Pense, por exemplo, no Tesouro IPCA 2050 com juros semestrais. Quem conseguir uma grana alta e aplicar nesse título pode se considerar aposentado, correto? Agora, correto, mas como serão as condições no futuro? E se aparecer algum governo louco, um novo “Collor” ou qualquer coisa parecida? Bom, quando o louco for eleito (espero que não aconteça!) quem tiver dinheiro alto nesses títulos deverá reavaliar rapidamente as condições e tomar sua decisão antes da posse do futuro mandatário. Talvez seja o caso de assumir alguma perda para evitar risco maior, já que a rentabilidade desses títulos de longo prazo só é garantida se forem mantidos até o vencimento. Numa tal hipótese, seria o caso de voltar a considerar a diversificação como absolutamente necessária à proteção do patrimônio.