Mudanças no Tesouro Direto e nas Letras de Crédito

Tempo de leitura: 4 minutos

Com a troca da equipe econômica do governo, sobretudo do Ministro da Fazenda, veremos algumas mudanças que afetarão a vida do investidor de perto.

No atual momento, escrevo este artigo falando sobre duas que já são certas. Uma boa e outra ruim (um verdadeiro chute no saco!).

Como acredito que é sempre melhor começar pelo bom antes de partir para o ruim, vamos à boa notícia!

Mudança de nomes nos títulos do Tesouro Direto

tesouro direto

Mesmo tendo um blog dedicado a falar sobre investimentos, investir a mais de 7 anos e já ter escrito bastante sobre Tesouro Direito, por várias vezes me peguei com dúvidas quanto ao significado dos nomes dos títulos e sua correspondente forma de rendimento.

Acho que eu não era o único que achava a sopa de letrinhas bem complicada de entender e lembrar.

Visando simplificar o entendimento, a partir do dia 1º de fevereiro de 2015, os títulos do tesouro nacional passarão a ter nomes diferentes. Muito mais fáceis de serem identificados.

Segue abaixo uma tabela com a mudança dos nomes antigos para os novos:

Tesouro Direto

Nomes antigos

Nomes novos

LFT

Tesouro Selic

LTN

Tesouro Prefixado

NTN-F

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais

NTN-B Principal

Tesouro IPCA

NTN-B

Tesouro IPCA com Juros Semestrais

Realmente mais fácil, não é?

Lendo rapidamente já é possível saber qual é prefixado (juros definidos no momento da compra), qual segue a Selic (variando conforme a subida/descida da taxa Selic), qual segue o IPCA (rende uma taxa + a inflação do período) e quais alternativas disponibilizam cupons semestrais (pagam juros a cada semestre, enquanto os outros só disponibilizam o dinheiro no vencimento do título).

Outra mudança que o investidor encontrará é o fim da data completa de vencimento no nome do título. Nos novos nomes só ficará evidente o ano de vencimento. Exemplo:

LFT 250725 (25/07/2025) ficaria Tesouro Selic 2025.

Essa foi a boa notícia, agora vamos à impiedosa voadora no saco….

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Cobrança de Imposto de Renda sobre as Letras de Crédito

mordida do leao

Sabe aquela famosa frase popular que diz que tudo que é bom dura pouco, nesse caso parece ser verdade.

A mordida do leão não conhece limites e vai abocanhar também uma das melhores opções para quem busca segurança e bom rendimento atrelado a prazos flexíveis, as populares Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA).

Para muita gente essa decisão não gera surpresa. Pois nosso novo Ministro da Fazenda, o economista Joaquim Levy, já manifestava sua insatisfação com o funcionamento das Letras de Crédito desde os tempos de gestor de fundos do banco Bradesco.

Segundo Levy, os benefícios das LCI e LCA geravam competição desigual, tornando fundos, previdências e debêntures menos atrativas, por apresentarem mais risco e, por vezes, menos rendimento.

Se a cobrança já é dada como certa, a forma e a data do início não estão claramente definidas. Portanto, ainda dá tempo de aproveitar a isenção de Imposto de Renda.

A expectativa do mercado é que seja aplicada nas Letras de Crédito a mesma tabela regressiva vista no tesouro direto, conforme modelo abaixo.

Tabela de Imposto de Renda regressivo

Prazos

Alíquota

Até 180 dias

22,5%

De 181 até 360 dias

20%

De 361 até 720 dias

17,5%

Além de 720 dias

15%

Especula-se que a determinação da cobrança do IR não seja retroativa, ou seja, quem investiu o dinheiro antes do início da cobrança, deverá estar livre da mordida do imposto.

Conclusão

Embora pequeno, considero este artigo muito importante, principalmente analisando a parte que trata sobre as Letras de Crédito.

Com a cobrança de imposto de renda, provavelmente veremos um melhor custo benefício ao investir no Tesouro Direto, por apresentar rendimentos mais altos e margem total de segurança (Letras de crédito só estão cobertas até R$ 250.000 por CPF).

Outra possibilidade que pode chamar atenção são os Fundos Imobiliários, principalmente por conta da isenção de imposto de renda sobre os rendimentos mensais.

Quanto ao Tesouro Direito, a mudança com certeza é bem vinda! Ao descomplicar o investimento, mais gente vai procurar o titulo e investir melhor.

Parece que o governo também prefere começar pelo bom para depois partir para o ruim…

Agora quero saber a sua opinião.

Gostou do artigo? Exponha suas ideias deixando um comentário abaixo.

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Obrigado.

  • Boa noite, Mariano.
    Essa cobrança foi cogitada na era Dilma. Hoje, pelo que me consta, não há planos de colocar isso em vigor.
    Abraço!

  • Mariano

    Bruno, hoje, 01/11/2016, não se fala mais em cobrança de IR nas LCI / LCA. Pelo menos nunca mais ouvi a respeito. Desistiram de tributar?

  • Muito obrigado pelo elogio, Mateus.

    Abraço e continue acompanhando o Você MAI$ Rico!

  • Muito bom seu artigo!

  • Muito obrigado pelo elogio, Tibério!

    Fico feliz que tenha gostado do artigo.

    Quanto a sua pergunta, supondo que a tributação seja através do uso de uma tabela regressiva de imposto, a semelhança com a que acontece com o tesouro direto, o efeito seria aumentar a poupança de longo prazo, uma vez que muita gente escolheria aplicações com prazos maiores para pagar menos imposto.

    Acho que a tributação das LC é uma forma de aumentar a poupança de longo prazo no país, mas não de fazer com que as pessoas voltem a caderneta de poupança, pelo menos as pessoas mais bem informadas, porque ainda existentes opções mais seguras e rentáveis (Tesouro Direto).

    Acredito que o principal estímulo do governo em tributar as LCI/LCA é obter uma nova fonte de impostos para os cofres públicos sem gerar queda de popularidade, uma vez que ainda são poucos (analisando percentualmente) os brasileiros que aplicam dinheiro nas LC (e desses acho que a minoria votou no PT).

    Também não gostei dessa futura tributação, costumava pegar LCI de prazos curtos várias vezes ao ano enquanto esperava alguma oportunidade surgir.

    Essa é minha opinião sobre o assunto.

    Continue acompanhando o Você MAI$ Rico.
    Grande abraço, Tibério.

  • Tibério Cardoso

    Perini, excelente artigo e também muito esclarecedor. No final do ano passado li sobre a tributação em cimas das LC´s. Quis acreditar que era só boato, mas infelizmente não é. Este ministro da fazenda já caiu na minha esquerda. Bem como você disse, o jeito é partir para os fundos imobiliários. Recentemente li em uma matéria que os investimentos do brasileiro na caderneta de poupança caiu quase 200% nos últimos 10 anos. Aí eu me pergunto e faço a mesma pergunta a você. Você acha que essa decisão de tributação das LC´s seria uma forma (forçada) de o investidor voltar à poupança, em especial dos bancos públicos?